Ela tinha medo de não suportar aquela dor no peito que sempre a afligia. O sentimento de culpa, de arrependimento, do amor não correspondido.Duas vezes por semana, pegava sempre o mesmo livro e lia sozinha embaixo de uma grande árvore no meio da praça, todo mundo ficava fitando-a, não importava, ela só queria estar com alguém, mesmo que fosse com um pequeno livro. Gesticulava baixinho as palavras para si mesma. Sentia que algum dia ela superaria a dor. A maldita dor do tão falado, amor.
Foi então que um dia, decidiu mudar, trocar de rumo, de expressão. De que adiantaria sofrer por algo que não existe mais? De que vale a pena chorar por alguém que não lhe merece? De que jeito pode esquecer uma dor se só sabemos ficar lembrando-a? De que...
Era o luar mais lindo, nunca brilhara e iluminara tanto como naquela noite. A garota estava voltando da praça com seu pequeno livro nas mãos, estava diferente, parecia estar feliz, então enquanto andava cautelosamente, ele a olhou, ela sem ao menos pensar retrucou o olhar, os dois sorriram e continuaram seguindo os seus caminhos, um para cada lado. No dia seguinte, pegou seu livro e foi sorridente para a praça, sentou-se em baixo da árvore e começou a ler, mas desta vez tinha companhia, olhou para o lado e ele estava sentado ali, ao seu lado, ouvindo cuidadosamente a história. Ela o encontrou, estava feliz por isso.
E terminando de ler a história leu a última frase pausadamente, "uma história apenas termina, para outra começar."
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